Workshop de Moda Inclusiva no II ECTec

Confira na integra a reportagem feita por João Marcelo Faxina sobre a Oficina Moda Inclusiva que aconteceu durante o II Encontro de Educação, Ciência e Tecnologia (ECTec) do IFRS – Câmpus Erechim ministrada pela prof. Aline Machado.

Moda para todos

Conceito de design inclusivo aplicado à moda busca facilitar a comunicação e oferecer autonomia de vida aos usuários

Pensar numa capacidade de uniformização tão abrangente quanto possível, e numa possibilidade de individualização tão específica quanto necessário. Em outras palavras, projetar para a diversidade humana. Esses são os objetivos do chamado design inclusivo ou universal, concepção de produtos que procura atingir a usabilidade pelo maior número de consumidores possíveis. Alguns princípios que dão norte ao design inclusivo são o uso flexível, simples e intuitivo, o fácil acesso às informações e o baixo esforço físico que é exigido do usuário. Todas essas características têm sido cada vez mais associadas à preocupação com questões estéticas, numa tentativa de diminuir o estigma que ainda existe com relação a esses produtos. Muito discutida em áreas como a arquitetura, essa filosofia do design agora também está presente na produção de moda.

“A moda sempre agiu como uma forma de exclusão, de diferenciação social, em que o corpo de cada pessoa tinha que se adaptar às regras que estavam sendo ditadas naquele momento histórico”, observa a professora Aline Machado, do curso de Design de Moda e Técnico em Vestuário do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), Câmpus Erechim. Aline nota que o design de moda inclusiva busca exatamente o contrário: “ele envolve olhar para o consumidor primeiro, perceber suas necessidades, toda a questão ergonômica do corpo, e depois propor o produto”.

Embora recente, o conceito de design inclusivo aplicado à moda vem sendo desenvolvido paulatinamente através dos tempos. Até o século XIX, os espartilhos e as crinolinas, armações usadas para dar volume às saias, dominavam a cena pública e dificultavam o movimento das mulheres, podendo machucá-las seriamente, além de deformar seus corpos. No começo do século XX, estilistas como Coco Chanel libertam as mulheres dos espartilhos, criando peças fluidas, confortáveis, inspiradas no guarda-roupa masculino da época. Mas é só no início do século XXI que a moda começa a apresentar propostas de inclusão e acessibilidade para todas as pessoas, especialmente para aquelas que têm alguma necessidade especial ou deficiência.

O Brasil é um dos países pioneiros quando o assunto é moda inclusiva. O projeto “Moda Inclusiva”, apoiado pelo governo do Estado de São Paulo, é um exemplo disso. O concurso promovido pelo projeto foi o primeiro a ser realizado no Brasil e é também pioneiro no âmbito internacional. Aline participou da 6ª edição do desfile, que aconteceu em agosto deste ano, com uma proposta de look voltado a pessoas surdas. “A maior dificuldade que a pessoa surda tem quando entra em uma loja para comprar um produto é a questão da comunicação, como ela vai dizer o que quer”, explica.

Nesse sentido, as peças desenvolvidas por Aline apresentavam recursos como estampa em Língua Brasileira de Sinais (Libras), bolsos estratégicos para guardar objetos e deixar as mãos livres para a comunicação e etiquetas com a tecnologia do QR code. Ao enquadrar o celular no QR code, a pessoa era direcionada para um vídeo, hospedado no youtube, onde um intérprete explicava as principais características do produto, tamanhos e cores disponíveis, formas de pagamento, entre outras informações importantes.

Oficina de Moda Inclusiva

Durante o II Encontro de Educação, Ciência e Tecnologia (ECTec) do IFRS – Câmpus Erechim, Aline ministrou um workshop de moda inclusiva para estudantes do curso Técnico em Vestuário e de Design de Moda da instituição. A proposta da oficina foi a de desenvolver um produto que possuísse um conceito de inovação e sustentabilidade social e que fosse utilizado por consumidores com deficiência visual. Além de toda a ambientação com o conceito de design inclusivo, os estudantes participaram de um exercício de sensibilização. Vendados, deveriam despertar outros sentidos, que não a visão, ao manusear retalhos de diferentes tipos de tecido.

Como atividade prática da oficina, os estudantes desenvolveram peças de roupa para deficientes visuais inspiradas no design de moda inclusiva. Deficiente visual desde 2007, a dona de casa Vilma Salete da Silva compartilhou sua experiência e auxiliou os estudantes a pensar em peças que resolvessem alguns problemas enfrentados no dia a dia: “Eu tenho duas amigas que não sabem abotoar uma blusa. Tem outras que não conseguem fazer um laço. Então tudo isso tem que ser pensado para facilitar a vida dos deficientes visuais”, disse. Roupas sem abotoadura, reversíveis, com costuras diferenciadas para identificar o lado avesso do lado direito, com estampas em alto relevo e em Braille foram algumas das ferramentas propostas pelos estudantes para lidar com problemas comuns enfrentados por pessoas com deficiência visual.

Exercícios como esses desenvolvem a empatia dos estudantes para situações que parecem muito simples para quem não é deficiente ou não tem nenhuma necessidade especial, como é o caso de escolher ou vestir uma peça de roupa. Aline lembra que o propósito do designer inclusivo deve ser justamente o de proporcionar a autonomia que aquele que não possui deficiência experimenta ao utilizar o mesmo produto. Ao assegurar essa autonomia, o design inclusivo aplicado à moda contribui para que as pessoas com deficiência ou com necessidade especial possam se comunicar melhor, encontrem o que buscam com mais facilidade e, por fim, tenham acesso a uma vida uma justa.

Confira algumas fotos da oficina:

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