Diário da Quarentena: Livro Roupas Inteligentes: combinando Moda e Tecnologia”

“No mundo da tecnologia vestível, quase tudo é possível. Basta ter uma ideia, uma mesa equipada, alguns amigos para trocar informações e pow!, você está dentro, criando o que antes não existia.” É assim que Alexandra Farah, jornalista e fundadora do festival WeAr Brasil faz a apresentação do livro “Roupas inteligentes: combinando Moda e Tecnologia” de Ricardo O’Nascimento. Lançado em 2020 pela Editora Senac São Paulo, com doze capítulos divididos em quatro partes, o livro elucida questões sobre os wearables technology, ou tecnologias vestíveis, de forma muito simples e instigante para curiosos da área da Moda.

O autor do livro, Ricardo O’nascimento é graduado em Relações Internacionais pela PUC São Paulo e em Design Multimídia pelo Senac- São Paulo, tem mestrado em Cultura da Interface pela Universidade de Linz- Áustria e é doutorando na Universidade de Loughborough na Inglaterra, onde pesquisa tecidos computacionais. É fundador da plataforma Popkalab (popkalab.com), que segundo o autor “é um estúdio de pesquisa de design com foco em inovação no campo da tecnologia vestível, especializados em têxteis eletrônicos e roupas reativas para entretenimento e estilo de vida.” Uma dica: vale a pena seguir o autor no Instagram e conferir os projetos do Popkalab.

Voltando ao livro, em sua primeira parte nomeada “Definições, Tecnologias e Usos” (p. 15), o autor explica o que é uma tecnologia vestível e sobre a necessidade de múltiplos conhecimentos para a execução de projetos. Apresenta os possíveis campos de aplicação dessa tecnologia, dizendo que já é amplamente utilizada na saúde e bem-estar. Já no campo da Moda, um dos exemplos citados pelo autor é a The Solar Shirt (2015), de Pauline Van Dongen, designer holandesa que criou esse produto integrando cento e vinte painéis solares maleáveis a uma camiseta, capaz de gerar energia elétrica quando exposta à luz solar e com a possibilidade de armazenar a energia em uma bateria muito pequena presente em um bolso.

The Solar Shirt (2015). Disponível em http://www.paulinevandongen.nl/project/wearable-solar-shirt

Na segunda parte, “Materiais” (p. 55), O’Nascimento faz um apanhado dos materiais para as tecnologias vestíveis: os condutivos, como fios têxteis  condutores e tintas condutoras; os luminosos, como os leds e fios luminosos; os cromáticos que mudam de cor de acordo com fatores externos, por exemplo, os materiais termocromáticos reagem a variação de temperatura, hidrocromáticos reagem à água e fotocromáticos reagem a luz UV; e, por fim, os biológicos, como o bioplástico e o micélio. O micélio é um fungo que tem diversas aplicações, principalmente na área têxtil, apresentado por O’Nascimento na página 69  através do MycoTEX living skin garment, um protótipo de camiseta feito de micélio e que, neste produto, tem um aspecto que lembra um material feltrado rústico. Ainda nessa parte do livro, o autor apresenta uma receita para se fazer um bioplástico de gelatina. Vale a pena conferir.

MycoTEX living skin garment (2019). Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/338898565_Wearable_Technology_for_Artistic_Expression

Na terceira parte (e também a maior do livro), chamada “Como desenvolver um projeto vestível” (p. 72), O’Nascimento fala sobre os materiais necessários para o desenvolvimento de tecnologias vestíveis e de toda parte eletrônica de forma muito simples e didática. Na página 83, ensina passo a passo como fazer um bordado eletrônico utilizando, dentre outros materiais,  linha condutiva,  led e esmalte de unha. Um trabalho muito interessante apresentado pelo autor está na página 157 do livro. Trata-se de um vestido da coleção Birth of Venus, impresso com tecnologia 3D, desenvolvido pela designer israelense Danit Peleg. Peleg  está na lista Europe’s Top 50 Women in Tech 2018, ranking que conceitua as cinquenta mulheres mais influentes em tecnologia na Europa feita pela Forbes. Peleg foi a designer responsável  pelo vestido impresso “Paralympics Dress” (2015), utilizado pela bailarina norte-americana Amy Purdy durante a abertura da Paraolimpiada em 2016, no Rio de Janeiro.  Uma curiosidade: Peleg afirma em seu site que cada vestido leva até duas mil horas para ser impresso completamente.

Paralympics Dress (2015). Disponível em: https://danitpeleg.com/paralympics-dress/

Na última parte do livro, “Materiais e Referências” (p. 190), o autor coloca um glossário muito útil para os iniciantes nas tecnologias vestíveis, seguido de indicações bibliográficas e sites para buscar inspirações. Inclusive, indica sites para compra de materiais para trabalhar a parte eletrônica.

Tecnologias vestíveis não são novidade no Brasil, mas vêm ganhando cada vez mais espaço no meio acadêmico. Da camiseta que capta batimento cardíaco à luva que traduz linguagem de sinais, muitos projetos estão sendo desenvolvidos com foco na inovação e na transferência tecnológica. E há muito ainda a ser explorado no campo da Moda.

O’NASCIMENTO, Ricardo. Roupas Inteligentes: combinando moda e tecnologia. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. 199 p. ISBN 978-396-3170-4

Texto: Natálie Pacheco Oliveira

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