Semana Fashion Revolution – Meio ambiente e desenvolvimento humano

Camila Carmona Dias

Marli Daniel

Para falar de desenvolvimento humano também é preciso relacionar com desenvolvimento econômico, pois quando se fala em crescimento econômico não está necessariamente anunciando melhoria da qualidade de vida de uma determinada população, tendo em vista, que o crescimento é uma medida quantitativa, direcionada, principalmente para o tamanho da economia de um país, região ou Estado.

O crescimento econômico é um dos principais mecanismos para a concretização do desenvolvimento econômico, medido basicamente por variáveis quantitativas. O Brasil que é hoje a 12ª economia do mundo e, nem por isso está entre os países de maior desenvolvimento humano, deve-se a isso, principalmente pelas políticas governamentais pouco inclusivas que vieram se arrastando ao longo da história (G1, 2021).

No que concerne ao desenvolvimento humano os mecanismos são qualitativos, está relacionado com as pessoas e com o que elas ostentam para si e para suas famílias, cuja finalidade está no resgate ou na conquista da dignidade humana, dos seus direitos fundamentais e consequentemente do aprimoramento dos seus direitos de personalidade.

Segundo dados do portal de G1 em dezembro de 2015 o Brasil ocupou o 75º lugar no ranking que mede o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), estando atrás de países como o Sri Lanka e Venezuela (G1, 2016).

Por isso, a fome, a miséria e as desigualdades sociais persistem e se tornam presentes cada vez mais, colocando-se lado a lado com a prosperidade dos grandes centros.

Segundo Bresser-Pereira, desenvolvimento econômico pressupõe acumulação de capital e aumento da produtividade, culminando-se com crescimento sustentado da renda por habitante e melhoria dos padrões de vida da população de um país (BRESSER PEREIRA, 2006, p. 203-230). Na mesma vertente, Nali de Jesus de Souza (2005) enxerga no crescimento econômico uma condição importante para a conquista do desenvolvimento econômico. A definição do autor supracitado vem da crença de que o desenvolvimento econômico decorre do crescimento econômico contínuo, duradouro (longo prazo), expressivo (maior que o crescimento da população) e transformador, na medida em que provoca mudanças estruturais e melhorias nas condições de vida da população.

Isso remete a ideia de que aumentando a renda da população teríamos uma melhoria do bem-estar, no entanto não basta apenas isso, para Ribeiro e Carvalho, deve-se também levar em conta outros indicadores, como os relacionados com a mortalidade infantil, os níveis de educação da população diretamente envolvida, saúde, qualidade do meio ambiente, expectativa de vida e a infraestrutura disponível. E dizem mais: Se junto com a renda não houver qualidade de vida, esta renda pode não representar nada (RIBEIRO; CARVALHO; 2010, p. 87).

Percebe-se que fatores como o nível educacional da população, ainda muito distante dos ideais, na maioria dos países da América Latina, é um dos exemplos que limita o desenvolvimento econômico dos países. Portanto, o desenvolvimento do capital humano tem papel fundamental nesse contexto.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, em seu relatório de Desenvolvimento Humano Global, o desenvolvimento humano está diretamente ligado à garantia dos direitos fundamentais do cidadão e o acesso aos direitos sociais permitindo realizar escolhas, além de gozar de oportunidades mediante as capacidades individuais, ou seja, o exercício dos direitos de personalidade precisa de um patamar mínimo de igualdade. Por outro lado, o crescimento econômico, objetiva o coletivo e o bem-estar da sociedade como um todo, tanto pela riqueza disponível quanto pelos recursos naturais que ela pode dispor (ONU, 2013).

Em contrapartida a isto, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD cita o desenvolvimento humano como aquele que situa as pessoas no centro do desenvolvimento, tratando da promoção do potencial das pessoas, do aumento de suas possibilidades e do desfrute da liberdade de viver a vida que eles valorizam e que desejam para si (PENUD, 2013).

Apesar de existir diferenças gritantes entre desenvolvimento humano e crescimento econômico, existe uma conditio sine qua non para aquele. É indiscutível a preocupação de como o crescimento econômico, afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas e seu bem-estar.

Nesse sentido, Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz, comenta que “Os indivíduos e as organizações dos países desenvolvidos que querem ajudar os pobres devem estabelecer o compromisso político de oferecer solidariedade à metade inferior da população dos países em desenvolvimento, especialmente às mulheres (YUNUS, 2008, p.124)”.

Diz ainda que é muito complicado estabelecer critérios de combate à pobreza, pois nunca se sabe qual a ordem de prioridade a seguir entre moradia, saúde, educação e outras necessidades básicas existentes.

Gina Pompeu ensina que “Para aliar o desenvolvimento humano com o econômico na esfera local e global, essenciais serão as presenças constantes de instituições sociais, de uma população interativa e bem informada (POMPEU, 2012, p.116)”. Nessa esteira temos que, as empresas não devem visar apenas o lucro, mas ter, também, um olhar para a questão da responsabilidade social, respeito ao meio ambiente, para a valorização social do trabalho e da livre iniciativa.

Como saliente Marcos Arruda, ao longo do século XX, houve avanços na redução da pobreza em várias partes do planeta, entretanto, o crescimento econômico tem sido tamanho que não se justifica a persistência da pobreza (ARRUDA, 2006).

Para Bauman, a história do mundo nos noticia que a desigualdade tende a se multiplicar e se estender de maneira cada vez mais rápida. Para o autor existe a forte presença de um dever de responsabilidade que começa no Estado e deságua individualmente em cada cidadão.).  A pobreza e a desigualdade não deve ser algo tolerado por todos. Para ele, ou somos guiados pelo nosso caráter ou pelo nosso destino e, este não é possível mudar. (BAUMAN, 2014)

Torna-se cada vez mais evidente, que não há como manter o crescimento econômico nos padrões de produção e consumo atuais, pois cada vez mais se cria um abismo entre ricos e pobres. Mudar isso não é tarefa fácil, pois como salienta Bauman (2014) fomos educados para acreditar que essa diferença é natural. Ou seja, para que a humanidade possa sobreviver e permitir a sobrevivência das demais espécies é urgente promover uma revolução conceitual de todos os envolvidos na cadeia produtiva, incentivando a eficiência do uso das energias, promover a reciclagem e o reaproveitamento do lixo.

Todas as formas de desperdício precisam ser reduzidas para que ocorra a preservação ambiental, bom como o desenvolvimento de sociedades com menos desigualdades sociais, ou seja, desenvolver-se de forma sustentável é possibilitar uma série de benefícios, não apenas para a indústria e a produção têxtil, mas também para toda e qualquer indústria e para a sociedade como um todo.

Como bem colocado por Muhammad Yunus (2008), a pobreza é a negação de todos os direitos humanos, que gera hostilidade, frustração e, para que se tenha paz, é preciso encontrar meios de dar oportunidade às pessoas para que tenham uma vida digna.

O Desenvolvimento nacional de um país compreende, não somente o crescimento e o desenvolvimento econômico, mas também o desenvolvimento humano, o bem-estar das pessoas, a qualidade de vida que elas possam ter e o respeito ao meio ambiente, em que o empreendedorismo social vem ao encontro.

Apesar de nas últimas décadas ter ocorrido alguns avanços em termos de redução da pobreza em diversas partes do mundo, estes ainda não correspondem ao crescimento econômico alcançado pelos países. Assim, não há justificativa jurídica, política ou econômica para a persistência da pobreza extrema tanto no Brasil como em outras partes do mundo.

Por sua vez, sustentabilidade significa viver em um ambiente equilibrado, harmonioso, onde educação, saúde, alimentação, moradia e trabalho com salário digno incluam as pessoas a um universo de possibilidades. O capital humano e a responsabilidade social superam o simples cumprimento do princípio da legalidade e assim igualdade formal corresponderá à igualdade material.

O desenvolvimento sustentável, cultural, econômico, social e político, devem estar relacionados com a proteção do meio ambiente, devendo ser buscado por toda a sociedade, ou seja, por toda a comunidade internacional, garantindo às populações mais carentes uma melhoria na sua condição de vida, e um sentido real de justiça social, bem-estar e dignidade humana, pois esses direitos fundamentais estão coligados e devem ser respeitados reciprocamente.

Fonte: https://blogcatharinehill.com.br/catharine-hill/dia-mundial-meio-ambiente/

Acompanhe essa e outras ações da Semana Fashion Revolution 2021 realizadas pela Área de Moda do IFRS Campus Erechim aqui no blog e nas nossas redes sociais.

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